Cidade se une para preservar rio em Rondônia

Moradores de Cabixi se mobilizam anualmente para coletar lixo abandonado às margens do parasidíaco Rio Guaporé

Há quase uma década, moradores de Cabixi, cidade localizada no Cone Sul de Rondônia, a 800 quilômetros da capital Porto Velho, se reúnem anualmente para uma nobre missão: coletar o lixo abandonado às margens do Rio Guaporé e seus afluentes - Cabixi, Piolho e Escondido. No final de novembro passado, um grupo de quase 100 voluntários realizou a 9ª edição da ação ecológica que mobiliza famílias inteiras, jovens, crianças, pescadores e representantes de entidades ambientais e empresas privadas.


Equipe pronta para uma manhã de coleta de lixo | Imagem: Adevania Silveira

Durante uma semana, os voluntários percorreram de barcos um trecho de 200 quilômetros e recolheram cerca de 5 toneladas de lixo, totalizando 45 mil toneladas coletadas em todos os anos de trabalho. “Este lixo poderia estar dentro dos rios, prejudicando o ecossistema”, afirma o educador ambiental José Ribeiro da Silva, conhecido como Zé Ambientalista, funcionário da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e idealizador do movimento que começou em 2008.


Embarcações com as equipes percorreram trecho de 200 quilômetros | Imagem: Adevania Silveira

Na montanha de entulho acumulada durante a semana em que as equipes fizeram o percurso da coleta, encontra-se os mais inusitados objetos: fogões a gás, sofás, computadores, televisores, cadeiras e mesas, prato de bateria, centenas de galões usados para transportar combustível e milhares de latinhas de bebidas. Grande parte dos detritos é retirada dos pontos de acampamento usados por pescadores amadores que frequentam a região. Outra parte vem das comunidades ribeirinhas que não contam com coleta de lixo regular.


Equipe recolhe lixo abandonado em acampanhamento de pesca | Imagem: Adevania Silveira

Apesar da quantidade significativa de lixo acumulada, Ribeiro avalia com otimismo o resultado da ação. Segundo ele, as cinco toneladas coletadas em média, por ano, se comparadas ao crescimento da população na região e ao aumento dos trechos percorridos pelas equipes, confirmam a gradativa conscientização das pessoas para a preservação do meio ambiente e a incorporação de boas práticas no tratamento do lixo.



Educador ambiental José Ribeiro conversa com grupo de jovens Cristãozinhos Ambientais | Imagem: Adevania Silveira

Na ação deste ano, a cooperativa de crédito Sicoob Credisul de Cabixi, que já vinha apoiando a ação, decidiu reforçar a ação, lançando a campanha #SomosTodosGuaporé, como forma de sensibilizar sobre a importância de preservar um dos maiores tesouros de Rondônia. A ação resultou em um documentário em vídeo, mostrando como a união de uma comunidade é capaz de promover mudanças. Além do vídeo, a cooperativa distribuiu camisetas com o slogan e realizou pit-stop e adesivação de veículos e barcos.



Parte da equipe que recolheu resíduos às margens do Guaporé e seu afluentes | Imagem: Adevania Silveira


RIO GUAPORÉ, PARAÍSO DA PESCA ESPORTIVA

Considerado o “rio da diversidade”, o Guaporé está localizado em uma zona de transição formada pelo encontro de dois biomas, a Floresta Amazônica e o Pantanal Mato-grossense, o que favorece uma formidável biodiversidade destes dois ricos ecossistemas. O espanhol Ñuflo de Chávez foi o primeiro explorador europeu a chegar ao Vale do rio Guaporé, entre 1541 e 1542, embora estivesse apenas de passagem.


Pôr-do-sol no Rio Guaporé | Imagem: Adevania Silveira

Bandeirantes chegaram a região por volta de 1650, com o objetivo de explorar os minerais do território, sobretudo o ouro. Como consequência da descoberta de ouro na margem direita do Rio Guaporé, a Coroa Portuguesa fundou a capitania de Mato Grosso em 1748, que abrangia as terras que atualmente fazem parte do Estado de Rondônia. O objetivo era a ocupação da região, sobretudo da margem direita do rio Guaporé, para garantir a sua posse, ameaçada por espanhóis e pelos indígenas.


Garça, uma das inúmeras aves que habitam o Rio Guaporé | Imagem: Adevania Silveira


Fronteira natural entre Brasil e Bolívia em todo o seu percurso no Estado de Rondônia, o Vale do Guaporé faz parte do corredor ecológico binacional Guaporé-Mamoré-Itenêz. Forma um roteiro que combina o prazer de pescar esportivamente a atrativos naturais, históricos e culturais, que misturam origens caboclas, quilombolas e indígenas. Ou seja, é um tesouro que precisa ser preservado.

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