Britz Lopes

POR ONDE ANDEI

Britz Lopes é jornalista e globetrotter. Adora vinho e fazer tour pelas cozinhas do mundo.
No Palazzo Gondi, com o marquês | Imagens: ÁLBUM DE VIAGEM

No Palazzo Gondi, com o marquês | Imagens: ÁLBUM DE VIAGEM

UMA JORNADA ITALIANA II

Depois da chegada intensa e plena de encontros agradáveis, fui viver a cidade. A festa da Befana, no Dia de Reis, quase me leva a orelha: coisa de menos 4 graus. Postada no meio da multidão, ao lado do Palazzo Pitti, vi, em local privilegiado, o tradicional desfile com rico figurino e belas coreografias.


Nós em Pontassieve

Ali no meio, o triste contraste: os imigrantes, centenas deles, encenam espetáculo para venderem pau de selfie, capa de celular, adaptador e guarda-chuva. 

No dia seguinte, Ana Paula Guerra, a mais fiorentina das brasileiras, liga avisando que vai rolar uma visita ao Palazzo Gondi, com guia exclusivo do marquês Gerardo Gondi, um low profile que cuida de seus domínios no centro de Firenze, cujos salões podem ser alugados para festas, assim como os dois apartamentos privados para oito pessoas – com decoração real – e da propriedade Tenuta Bossi, em Pontassieve, onde se produzem o vinho e o azeite da família. Resumindo importância do lugar, reza a história que Leonardo da Vinci pintou a Mona Lisa ali.



A festa da Befana, que assisti de um lugar privilegiado

O tour com o nobre continuou no dia seguinte com a visita à Tenuta Bossi, bela propriedade incrustrada num intocável bosque cujos domínios vão até aonde a vista não alcança.

Homem vestido a caráter no desfile do Dia de Reis, festa da Befana

Ali também, disponível para eventos tipo wedding destination, que, acreditem, ficam mais em conta que no Brasil. Para chegar lá, os plebeus pegam um trem para Pontassieve, alugam um carro na estação ou descolam uma carona providencial como a de Ana Paula Guerra, uma guia atenta e exigente com todos os detalhes.



O azeite produzido pela família Gondi

Esmiuçar a cidade com quem a conhece muito bem é privilégio para poucos. O almoço do dia seguinte foi no Mercato di Sant’Ambrogio, na Da Rocco Trattoria, com pratos artesanais incríveis e com preços que começam em 2,50 euros. O vinho sfuso (da casa) é mais que honesto e chega numa garrafa vintage.



As barricas do vinho que tem produção limitada

Aliás, toda a rendondeza de Sant’Ambrogio tem ar vintage, com o mercado de pulgas e a feira de roupas antigas, um luxo. À noite, nos entregamos aos bares de aperitivo. Compra-se a bebida, e as comidinhas são por conta da casa. Rola também dança nos porões onde há apresentações de jazz, música dos balcãs e latina. No antigo Bistrot Café 19.26 a interação foi grande e ficou o convite para a próxima sexta-feira. Confirmado, claro.



Ditta Artigianale, o café dos encontros

Nosso ponto de encontro é quase sempre no Ditta Artigianale, um aconchegante café nas imediações do Palazzo Vecchio. A paranaense Rose, uma figura doce e alegre, tem sempre na bolsa uma cerveja vermelha ou uma garrafa de vinho. Moça esperta essa. Iniciativa providencial para o dia em que fomos comer num indiano muçulmano onde não se vende alcool. Foi experiência interessante beber escondido.

Tem também o Amblé, mais um endereço vintage que é um dos preferidos de Ana Paula. Alias, Ana não bebe, mas nos abastece do vinho da cantina onde o marido trabalha.

Corto, cada dia, uma parte da cidade a pé, no melhor estilo conhecendo a região. Uma pausa para um café correto, ristretto ou macchiato, depende. Quando muito frio pode também ser um espresso doppio. Assim me perco pelas ruas, encontro locais incríveis e procuro aproveitar o máximo dessa deliciosa jornada. 



A Duomo. Impossível passar e não fazer mais um registro

1 comentário

Anna Paula .Guerra

DIVINAAA!!! QUE BOM COMPARTILHAR ESSA CIDADE QUE AMO ,COM VOCÊ !! SUAS DESCRIÇÕES SÃO DE UMA SENSIBILIDADE ÚNICA!! I❤BRITZ PS: MEU NOME É COM 2 N KKK
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