Britz Lopes

POR ONDE ANDEI

Britz Lopes é jornalista e globetrotter. Adora vinho e fazer tour pelas cozinhas do mundo.

Uma jornada italiana I

O primeiro de janeiro deste incipiente 2017 não chegava nunca. Havia quase um ano que não embarcava – internacionalmente falando. Precisava urgente fugir das noticias deprimentes da realidade brasileira.

Estava tensa com o bilhete barato que comprei na classe executiva da Air China, mas foi uma agradável surpresa. As simpáticas atendentes chinesas se ajoelham para anotar os pedidos do jantar e café da manhã e ainda lhe calçam o chinelo de tecido. As instruções em mandarim eram de três minutos e em inglês não mais que 30 segundos. Mas acho que não perdi nada importante, mesmo porque o monge que estava ao meu lado continuava a meditar.

Desembarquei em Madri, peguei um voo para Florença. Chuva na chegada, mas como sou econômica e teimosa, fui de ônibus com a receita do endereço que minha anfitriã do Airbnb me enviou anotada no caderninho, num bom italiano. Bati cabeça um pouco, encharquei, mas deu certo. Fiz providencial ocupação do apartamento, cerca de 60 metros quadrados, fui ao supermercado e me abasteci do essencial – vinho, água, tomate, queijo. Liguei para a embaixadora brasileira em Firenze, Anna Paula Guerra, ou Anna Firenze, como todos a conhecem.

No dia seguinte, ela foi ao meu encontro com dois litros do vinho que a família produz em Pontassieve, a 25 quilômetros da cidade, e plena de encontros e indicações. 

Que terça-feira intensa e maravilhosa!

Tenho muito da personalidade agregadora de Anna, e quem descobriu isso e nos aproximou foi o amigo em comum, José Augusto de Souza, filho de Tia Rosinha.

Direto da minha Via San Gallo, minha amiga me mostra que chego à Ponte Vecchio sem curva. No caminho, cafés, encontros, deixa uma coisa aqui, pega outra ali. E ela me apresenta a turma: dois irmãos italianos que herdaram uma bela joalheria, o café cujo dono viaja o mundo para escolher os melhores grãos, e os brasileiros.

Quem são os brasileiros? Os viajantes são Tato Navega, músico que vai lançar carreira este ano, e a mulher, Maiz de Oliveira Lemos Andrade, empresária da indústria do cinema. Os residentes são Roseli Pereira, do Paraná, que tem uma creche particular e está aqui há 15 anos; e o Serginho, de Goiânia, que veio fazer um curso de gastronomia e não mais voltou. Hoje é dono do restaurante Il Bastioni di San Niccolo. Ah, de Goiânia tem também a Rosângela Ferreira, que estuda design de interiores, recentemente pedida em casamento por um italiano; e Nathália Frascino, que abandonou a advocacia por bela causa toscana.

O encontro grande, claro, foi no restaurante do Serginho, com direito a degustação de muitos dos pratos servidos lá e vinho sfuso, da casa. Pé na jaca de cara. Depois, ainda rolou bar no final da noite. Uma bela chegada. Acordei onde deveria. E comecei grande expedição nesta que para mim é a mais bela cidade europeia: democrática, amiga, comida escandalosa, cafés aconchegantes e um mercado que me consome...   



Os italianos e brasileiros no restaurante do Serginho



Antepasto do restaurante Il Bastioni di San Niccolo



Ponte Vecchio, cartão postal de Firenze



Gilli, o café mais chique do pedaço



Duomo, no caminho de casa

3 comentários

Bel Coelho

Como suas palavras viram melodia em um texto! Obrigada pela delícia de leitura! Quero mais!

Lili Moreira

Amoooooooooooo

Anna Paula Guerra

A VIDA É A ARTE DO ENCONTRO,E CONHECER VOCÊ FOI DEZ AMIGA !!!!
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