Rimene Amaral

Caçarolices

Rimene Amaral é jornalista, fotógrafo e glutão. Quando não está se dedicando a alguma destas tarefas, gasta o tempo com inventices na cozinha

Pretinho nada básico

Bateu o desespero. Nem sou muito de comer doce, mas há dias em que o vinho falta e a vontade de um doce bate. E bate forte. E foi numa dessas espancadas que sucumbi ao brigadeiro. Mas não foi um brigadeiro qualquer. Esse a gente compra na padaria da esquina. Fiz o meu, próprio, com especiarias. Ficou uma loucura! À receita normal (1 lata de leite condensado, 2 colheres de manteiga e 3 colheres de cacau em pó) acrescentei 2 sementes de cardamomo maceradas no almofariz, ½ colherinha de café de canela em pó, 1 colherinha pequena de café solúvel também macerado, ½ colherinha de gengibre em pó e noz-moscada. Daí é só fazer como manda o figurino: panela no fogo e mexer sem parar até que desgrude. Quando mais tempo ficar no fogo, mais “puxento” vai ficar depois de frio. Enrole ou coloque num recipiente aberto e coma de colher. O tamanho do pecado é você quem estipula.


FRASE NOSSA DE CADA DIA
O melhor bocado não é de quem faz. É de quem come, autor desconhecido


JÁ-TE-VI-FRITADA: A SAGA DE UM ARROZ DE TRÊS REFEIÇÕES

Aquele dia em que o vinho não é suficiente para te apagar por completo. Daí você deita e a cabeça não para! Contam-se manadas de carneirinhos e Morpheu não aparece. Sono, cadê? Acontece que à medida que o sono se vai, a fome vem. É uma matemática progressiva e inversamente proporcional que me faria ficar aqui defendendo a tese por laudas e laudas. Mas como sei que o que vocês querem é crônica e comida, vamos ao relato.

Pois é, aquele dia em que o vinho não foi suficiente. Ficava imaginando o que haveria na dispensa que poderia virar uma refeição. Tinha feito uma limpeza na geladeira naquele dia e lembrava de absolutamente tudo que tinha dentro, inclusive quantidades e data de validade. Me lembrava também que tinha: arroz cozido, tomate, ovos, queijo ralado, temperos frescos e cebola roxa. Era isso. Esse garimpo viraria uma fritada de arroz. Depois você procura no Google para saber o que é uma fritada, senão não saio da crônica para entrar na receita.

Desfiz as pelotas de arroz com as mãos e o dispus numa frigideira antiaderente forrada com azeite. Prensei bem. Por cima, tomate maduro bem picadinho. Daí bati uma mistura de 3 ovos, 2 colheres de parmesão ralado, alho em flocos, pimenta calabresa, cebola roxa e azeitona picadinhas, salsa desidratada e sal a gosto. Despejei essa mistura sobre o arroz e, daí para frente, leva como se fosse omelete. Simples assim... Aí você come o resultado disso e fica pensando quando será a próxima vez que faltará vinho.


VOCÊ PRECISA TER NA SUA COZINHA
# Descascador de legumes
# Ralador de abobrinha para fazer espaguete de legumes
# Duas facas amoladas de tamanhos diferentes
# Uma refratária
# Papel alumínio e papel manteiga
# Uma frigideira antiaderente de boa qualidade


CONHEÇA O...
Qabili palau, Qaubili pilau, Kabuli palau, Kabuli palaw, Kabuli pulao ou, simplesmente, Palau é uma iguaria proveniente do Afeganistão. É considerada o prato nacional daquele país e é muito popular no sul e centro-leste da Ásia. É uma variante do Pilaf feita com carne de cordeiro e faz parte de um grupo de pratos com arroz chamados "palau".  É servido como parte de um Dastarkhan (um banquete afegão). Assim como vários outros pratos provenientes do Afeganistão. O Qabuli Palau, assim como outros pratos provenientes do Afeganistão, recebeu influência indiana.


DA ACADEMIA PARA A COZINHA
Ah, essa vida que nos pede coisas leves e saudáveis... E eu vivo na vontade de viver de pamonha, macarrão e vinho. Estaria de bom tamanho pra mim. Mas, já passei dos 30 anos e agora a lei da sobrevivência é cuidar com academia e, é claro, alimentação. Pois bem, decidi que agora vai. Depois de 50 dias de molho, volto à vida saudável. E não é de ver que já comecei inventando coisa boa para um almoço pós-malhação?

Omelete de espinafre com aveia. Sim, parece horrível. Mas não é. Tem que saber temperar pra ficar bom. Primeiro corte 3 talos de espinafre com as folhas, 1 cebola picadinha, 2 colheres de salsinha, alho em flocos, pimenta calabresa e sal a gosto. Misture bem e acrescente 2 ovos batidos. Misture. Adicione 4 colheres de aveia em flocos finos. Despeje tudo numa frigideira antiaderente com um fio de azeite, acerte a mistura à frigideira e, só assim, ligue o fogo. Quando ele se soltar do fundo, faça um malabarismo e vire a omelete. Tá pronto. Uma refeição carregada de proteína e magra. Seja feliz.

ENGANA GORDO I - PIZZA COM MASSA DE COUVE-FLOR
Chega um dia em que você olha para trás e pensa: “Gente, onde foi parar a minha alegria quando tinha pizza?”. Hoje a gente fica preocupado com o glúten da farinha branca, com o agrotóxico do tomate, com a lactose da muçarela... Isso não é vida para quem gosta de pizza. E acho que foi uma pessoa que pensa assim, como eu, que deve ter inventado uma massa de pizza feita com couve-flor. Hum-hum! Eu já conhecia o arroz feito de couve-flor (passo a receita já, já...), mas a massa de pizza eu não acreditava.

1 couve-flor cozida e processada, 1 ovo, ½ xícara de muçarela ralada, sal e pimenta-do-reino, uma colher de manteiga para untar a forma (de pizza, é claro!). Acerte a massa na forma e leve ao forno em 220° por dez minutos. Retire a massa e monte a pizza: molho de tomate, 200 gramas de muçarela ralada, dois tomates maduros em rodelas, cebola roxa em tiras finas, ½ pimentão amarelo em tiras, 50 gramas de azeitonas picadas, orégano e forno a 220° por mais dez minutos. Pode encher a taça que você vai ser sucesso.

ENGANA GORDO II - ARROZ DE COUVE-FLOR 
Já que estamos na couve-flor, continuemos nela. É sobre o arroz citado na receita acima. Quando eu descobri foi como um holofote se ascendesse no fim do túnel. E esse engana bem, viu? Eu uso uma receita de tempero de família, conhecido como sendo o simples caldo de galinha, de qualquer marca, para dar aquele gosto de arroz da casa da mãe. Aí acrescenta-se alho e cebola picadinhos. Tudo isso refogado em azeite. Antes você terá de preparar a couve-flor. Corte os buquês e coloque-os para cozinhar em água fervente até ficar al dente. Inclusive todos os talos. Espere esfriar e triture tudo num mixer. Despeje isso na mistura de temperos refogados e deixe a couve-flor pegar o gosto do tempero. Regue mais azeite e salsinha picada. De olhos fechado, eu cri que era arroz. E você pode variar o tempero, acrescentar ingredientes – ervilha, cenoura ralada, atum... vai da criatividade e do paladar.


ENGANA GORDO III - BOLINHO ASSADO DE ARROZ DE COUVE-FLOR 
Aí, como um condenado à cadeira elétrica, você baixa na panela de arroz de couve-flor, a receita acima, e come além daquilo que coubesse no seu corpo, caso fosse oco. Mas como tudo na vida que se faz para comer o olho-gordo está sempre presente, aqui não foi diferente e por mais que você se entupisse, ainda sobre arroz de couve-flor. E é claro, a gente fala muito aqui: “Não desperdiçamos comida”, não é?

Se sobrou pelo menos a metade daquilo, misture 1 colher de manteiga, 1 ovo (ou 2. Vai depender da quantidade), umas 4 colheres de aveia em flocos finos, 2 colheres de farinha de rosca, 1 colher de farinha de trigo, 1 colher (chá) de gengibre ralado e 2 colheres de parmesão ralado. Misture bem e leve ao forno a 220° por uns 40 minutos. Com a iguaria ainda quente, uma taça de um bom chardonnay gelado cai muito bem.


MARINADA
Petisco –
Não jogue fora as cascas de batata. Frite-as em óleo quente, tempere com sal e sirva como aperitivo. 

A gordura – As batatas assadas ficarão mais saborosas e suas cascas não racharão se você passar um pouco de manteiga ou gordura de bacon antes de assar.

Por igual – Se você quiser que as batatas grandes cozinhem por igual, fure uma por uma com um garfo antes de levar ao fogo. Dessa maneira, as batatas ficarão perfeitas e não racharão. 

Crocante – Corte as batatas em rodelas bem finas e deixe de molho em água com vinagre durante quinze ou vinte minutos. Enxugue e frite com óleo quente, sem sal. Elas ficarão sequinhas. 

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