O ator Felipe Brum (primeiro à esquerda), que iniciou carreira de ator em Goiânia, em cena de A Tempestade | Todas as imagens: João Caldas Filho

O ator Felipe Brum (primeiro à esquerda), que iniciou carreira de ator em Goiânia, em cena de A Tempestade | Todas as imagens: João Caldas Filho

Tempestade na terra da garoa

Montagem da última peça de Shakespeare é programa imperdível em São Paulo

Uma peça que introduz seu lema antes mesmo de começar; com uma mensagem clara ao espectador de que desligue o celular, desconecte-se do mundo exterior e se abra para a imaginação. A partir de então, tudo é sonho. Com direito à mágica, cantigas populares da infância, figurino barroco e um teatro democrático e participativo: uma arena.

No elenco está o ator Felipe Brum, que iniciou a carreira de ator e modelo em Goiânia, onde cresceu e cursou Artes. Felipe já fez diversos trabalhos em teatro e, no cinema, participou do filme Cartas de Kuluene, com direção de Pedro Novaes. Este ano, filmou em Buenos Aires À Distância, do diretor goiano Jarleo Barbosa.



Chico Carvalho, como Ariel em A Tempestade​

A tempestade, peça que estreou no último dia 21, no Tucarena, o aclamado teatro universitário da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é uma montagem da última obra escrita pelo autor inglês William Shakespeare (1564 - 1616) e, para muitos estudiosos, a que o escritor homenageia suas próprias criações anteriores, numa espécie de despedida da dramaturgia, já prevendo a sua morte cinco anos mais tarde. 



Celso Frateschi encarna o papel de Próspero e Letícia Medella faz Miranda em A Tempestade

A versão é o quinto Shakespeare adaptado de Gabriel Villela, um dos mais renomados diretores teatrais. O elenco é composto por Celso Frateschi (Próspero), Helio Cicero (Caliban), Chico Carvalho (Ariel), Letícia Medella (Miranda) e Romis Ferreira (Estéfano), Dagoberto Feliz (Trínculo), Marco Furlan (Ferdinando), Rogerio Romera (Antonio), Leonardo Ventura (Alonso), Felipe Brum (Sebastian) e Rodrigo Audi (Francisco).



Os atores Helio Cícero, Romis Ferreira Dagoberto Feliz em cena de A Tempestade

Depois de convidar o público a imaginar a arena vira uma ilha envolvida por águas doces e salgadas onde Próspero, duque de Milão por direito, planeja restaurar sua filha Miranda ao poder, utilizando-se de ilusão e manipulação com a ajuda de Caliban, um escravo, e Ariel, espírito servil que pode se metamorfosear em ar ou fogo. Os poderes eruditos e mágicos de Próspero e Ariel combinam-se para invocar uma grande tempestade, visando assim atrair seu irmão Antônio, que lhe usurpou a posição, e seu cúmplice, o rei Alonso de Nápoles, para a ilha. Lá, suas maquinações acabam por revelar a natureza vil de Antônio, provocando a redenção do rei, e o casamento de Miranda com o filho de Alonso, Ferdinando.

"Tenho atração e encantamento por obras que traduzem o universo mítico, onírico e poético, como A Tempestade, revela Gabriel Villela. “Temos A Tempestade nas mãos, e isso não é pouco. Trata-se de um dos textos mais importantes de Shakespeare e o que ele tem de mais atual é o fato de tratar do desejo”, complementa Celso Frateschi.

A trama, de 90 minutos de duração, passa rapidamente envolvida em muito humor, romance, música e conspirações. Logo, conduz (e emociona) o espectador à máxima da reconciliação e do perdão.



Cena de A Tempesatade, de Shakespeare, estreou, esta semana, no Tucarena da PUC-SP

Surpreende também a capacidade em harmonizar a até então impensada combinação entre Shakespeare e uma estátua de Iemanjá, por exemplo. Entretanto, aqui tudo cabe e se completa pelas ideias de Gabriel, que é capaz de inserir nossa cultura na trama inglesa deixando-a mais leve e próxima de nós.  O critico Luiz Carlos Merten, afirma que “Gabriel ama Shakespeare, Calderón e Pirandello. Imaginai e A vida é sonho são seus mantras. Suas referências no cinema são o melodrama e o circo”.

Como é característico dele, a trilha sonora é cantada e tocada ao vivo pelos atores, e neste caso tem canções brasileiras populares, de domínio público. A plateia não se contem em acompanhar cantando, principalmente quando o elenco anuncia “minha jangada vai sair pro mar…” Assim sendo, o repertório que inclui Milton Nascimento e Dorival Caymmi segue na cabeça por vários dias.

SERVIÇO
Peça A Tempestade
Teatro Tucarena, da PUC-SP
Rua Monte Alegre, 1.024
Tel  (11)3670-8453
Sessões: sexta-feira, às 21h30; sábado, às21h; domingo, às 19h
R$ 50/R$ 70
Em cartaz até 22 de novembro

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