A atriz Marília Pêra, a grande homenageada, acena na chegada ao Festival de Cinema de Gramado | Imagem: Rimene Amaral

A atriz Marília Pêra, a grande homenageada, acena na chegada ao Festival de Cinema de Gramado | Imagem: Rimene Amaral


Entre Kikitos e estrelas

Festival de Cinema de Gramado escolhe Ausência, de Chico Teixeira, como Melhor Filme e homenageia a diva Marília Pêra


Durante toda a semana que passou, a cidade de Gramado (RS) sediou, pelo 43º ano consecutivo, o Festival de Cinema mais famoso do País. Com programação intensa e variada, o Festival de Cinema de Gramado exibiu 49 filmes em competição. Na agenda paralela, outros títulos convidados foram exibidos no Palácio dos Festivais e em outros espaços da cidade.

O 43º Festival de Cinema de Gramado teve Mostras Competitivas de Longas Brasileiros e Latinos, Curtas Brasileiros e Curtas Gaúchos. Além dos filmes concorrentes, Gramado recebeu uma programação paralela de longas e curtas-metragens em salas alternativas, bairros e escolas, sempre gratuitamente, além de debates e encontros de todas as áreas ligadas ao cinema.


Marília recebe o troféu Oscarito ao lado dos filhos Ricardo Graça Mello, Esperança Motta e Nina Morena | Imagem: Igor Pires- Agência Pressphoto

Personalidades com reconhecida trajetória nas áreas da música, cinema, jornalismo e literatura compuseram o time de especialistas encarregados da árdua tarefa de julgar os melhores trabalhos do festival. Foram quatro equipes de jurados – cada uma com cinco componentes – dedicadas a escolher os merecedores do Kikito entre longas brasileiros, longas latino-americanos, curtas brasileiros e curtas gaúchos, que receberam um prêmio especial da Assembleia Legislativa do Estado.

O famoso tapete vermelho – ou red carpet, como insistem os mais chiques – na Rua Coberta, que dá acesso ao Palácio dos Festivais, foi palco de uma performance artística que reuniu música, dança, teatro e técnicas circenses, durante a abertura oficial. Atores vestidos a caráter apresentaram fragmentos do espetáculo Bellepoque - Porque a Vida é um Cabaré. Na performance, especialmente desenhada para o 43º Festival de Cinema de Gramado, atuaram 14 artistas.


Ausência, o segundo filme de ficção de Chico Teixeira, ganhou o prêmio principal | Imagem: Divulgação

Na edição deste ano, 14 longas-metragens nacionais e estrangeiros e 14 curtas disputaram os desejados Kikitos, o troféu-símbolo do festival. Entre as mostras paralelas, destaque para a panorâmica de festivais internacionais, que apresentou filmes reconhecidos em outros eventos dedicados à sétima arte.

Ao todo, 66 películas foram exibidas ao longo da semana. À exceção da mostra itinerante Cinema nos Bairros – uma parceria entre o projeto Educavídeo, da Secretaria Municipal de Educação de Gramado, Globo Filmes e RBS, que levou curtas e longas-metragens para junto das comunidades – todas as projeções de filmes foram no Palácio dos Festivais, com quatro sessões diárias.

O Último Cine Drive-In, do diretor Iberê Carvalho, foi um dos representantes brasileiros na mostra competitiva. O longa se centra no reencontro entre o jovem operário Marlombrando e seu pai, Almeida, dono do último cine drive-in de Brasília.

O filme é estrelado pelo veterano Othon Bastos, que já ganhou um Kikito de Melhor Ator em 1974, por sua participação em São Bernardo, e o Kikito de Cristal pelo conjunto da obra, em 2013. O Fim e os Meios, de Murilo Salles, foi outro que estava na disputa. O diretor chegou à serra gaúcha confiante. “Estou emocionado. Aqui lancei meu primeiro, segundo e terceiro longas. Cineastas não têm um palco, mas têm uma tela: Gramado é a minha tela”, festejou, antes da exibição de sua obra.

Personalidades
Quatro personalidades do cinema brasileiro e latino-americano receberam homenagens especiais como destaque de suas contribuições para o mercado cinematográfico. O diretor Daniel Filho recebeu o troféu Cidade de Gramado, além do diretor Zelito Viana e o argentino Fernando Pino Solanas. Mas o grande destaque do 43º Festival de Cinema de Gramado foi, sem dúvida, a atriz Marília Pêra que, mesmo atrasada para o desfile no red carpet, recebeu aplausos por mais de dez minutos.

Com simpatia capaz de desmontar qualquer mau-humor, Marília sorriu para o público, se deixou fotografar e, de quebra, acenou para a lente de The Book. A homenagem a Marília Pêra marcou também uma importante efeméride em Gramado. Ela recebeu o Troféu Oscarito no ano em que o prêmio completa 25 anos de existência.


A performance Bellepoque - Porque a Vida é um Cabaré abriu o festival no Palácio dos Festivais | Imagem: Rimene Amaral

A relação da diva com as artes vem de berço. Seus pais, Dinorah Marzullo Pêra e Manoel Pêra, também eram atores. Aos quatro anos, a atriz pisou pela primeira vez em um palco com a tragédia grega Medeia. Do teatro, onde brilhou em espetáculos marcantes, como a clássica montagem de My Fair Lady, com Bibi Ferreira e Paulo Autran, foi para a TV e, em 1965, fez sua primeira aparição em Rosinha do Sobrado, na Rede Globo. Depois veio O Homem Que Comprou o Mundo, dirigido por Eduardo Coutinho. Desde então, foram 23 filmes sob a tutela de nomes como Cacá Diegues, Domingos Oliveira, Hector Babenco e Walter Salles.

Marília Pêra tem uma relação histórica com a cidade serrana. Ao longo de sua festejada trajetória como atriz, a diva do cinema nacional já levou para casa dois Kikitos: um em 1983, por Bar Esperança - O Último Que Fecha, e outro em 1987, por Anjos da Noite. "Bar Esperança é um filme que o querido Hugo Carvana dirigiu com muita soltura e improviso. Nós podíamos brincar como quiséssemos e ele ajustava depois", recorda. Já em relação a Anjos da Noite a palavra de ordem durante as gravações foi dedicação. "Tive um papel relativamente pequeno, mas a experiência foi dificílima, já que filmávamos apenas à noite e era sempre frio. A produção também envolvia maquiagem, coreografias, vestidos costurados diretamente no corpo. Foi um desafio!", relembra Marília.

Competição
O 43º Festival de Cinema de Gramado consagrou o longa-metragem brasileiro Ausência, que levou quatro Kikitos para casa, entre eles o de Melhor Filme e Melhor Diretor, para Chico Teixeira. Outros três filmes dividiram os 12 Kikitos para longas-metragens brasileiros com Ausência, O Último Cine Drive-In, Um Homem Só e Ponto Zero.

Entre os latino-americanos, o argentino La Salada foi eleito Melhor Filme pelo júri do festival e pelo júri da crítica. “É difícil falar agora, estou muito nervoso, de verdade não esperávamos”, confessou, emocionado, um dos protagonistas. Os outros cinco prêmios para as produções faladas em castelhano foram divididos entre o cubano Venecia e o mexicano En La Estancia, que levou para casa o troféu Dom Quixote, concedido pela Federação Internacional de Cineclubes (FICC). A produção colombiana Ella foi eleito o melhor filme pelo público de Gramado.

Já os troféus distribuídos para produções em curta-metragem premiaram títulos variados, destacando-se O Corpo, Melhor Filme e Fotografia – ele já havia sido o grande vencedor da mostra de curtas gaúchos. 

*Rimene Amaral, com equipe Pauta Assessoria, de Gramado – RS


VENCEDORES

Curtas-metragens brasileiros

Melhor Desenho de Som: Tiago Bello, por O Teto Sobre Nós

Melhor Trilha Musical: Felipe Junqueira e Samuel Ferrari, por Miss & Grubs

Melhor Direção de Arte: Welton Santos, por Miss & Grubs

Melhor Montagem: Chico Lacerda, por Virgindade

Melhor Fotografia: Arno Schuh, por O Corpo

Melhor Roteiro: Tiago Vieira e Fabrício Ide, por Quando parei de me preocupar com canalhas

Melhor Atriz: Giuliana Maria, por Herói

Melhor Ator: Matheus Nachtergaele, por Quando parei de me preocupar com canalhas

Prêmio Especial do Júri: Haram

Melhor Filme Júri Popular: Bá, de Leandro Tadashi

Melhor Diretor: Bruno Carboni, por O Teto Sobre Nós

Melhor Filme: O Corpo, de Lucas Cassales

Prêmio Canal Brasil: Dá Licença de Contar, de Pedro Serrano

Júri da Crítica – Curta-Metragem: Dá Licença de Contar, de Pedro Serrano


Longas estrangeiros

Melhor Fotografia: Nicolas Ordoñez, por Venecia

Melhor Atriz: Claudia Muñiz, Marianela Pupo e Maribel García Garzón, por Venecia

Melhor Roteiro: Carlos Armella, por En La Estancia

Melhor Ator: Gilberto Barraza, por En La Estancia

Melhor Filme Júri Popular: Ella, de Libia Stella Gómez

Melhor Diretor: Kiki Alvarez, por Venecia

Melhor Filme: La Salada, de Juan Martin Hsu

Prêmio Dom Quixote: En La Estancia, de Carlos Armella

Júri da Crítica – Longa Estrangeiro: La Salada de Juan Martin Hsu


Longas brasileiros

Melhor Desenho de Som: Ponto Zero

Melhor Atriz Coadjuvante: Fernanda Rocha, por O Último Cine Drive-In

Melhor Ator Coadjuvante: Otavio Muller, por Um Homem Só

Melhor Trilha Musical: Alexandre Kassin, por Ausência

Melhor Direção de Arte: Maíra Carvalho, por O Último Cine Drive-In

Melhor Montagem: Frederico Brioni, por Ponto Zero

Melhor Fotografia: Adrian Tejido, por Um Homem Só

Melhor Roteiro: Chico Teixeira, César Turim e Sabina Anzuategui, por Ausência

Melhor Atriz: Mariana Ximenes, por Um Homem Só

Melhor Ator: Breno Nina, por O Último Cine Drive-In

Melhor Filme Júri Popular: O Outro Lado do Paraíso, por André Ristum

Melhor Diretor: Chico Teixeira, por Ausência

Melhor Filme: Ausência, de Chico Teixeira

Júri da Crítica – Longa Brasileiro: O Último Cine Drive-In, de Iberê Carvalho

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