Criança participa do workshop que contribuiu com ideias para o futuro Parque do Cerrado | Imagens: Cristiano Borges

Criança participa do workshop que contribuiu com ideias para o futuro Parque do Cerrado | Imagens: Cristiano Borges

População "desenha" Parque do Cerrado

Participantes escolhem os principais equipamentos. Arquitetos apresentarão projeto básico à comunidade no dia 8 de abril

Jardins e playground são elementos comuns aos parques urbanos. Mas um parque pode ser muito mais do que isso. Pode ter museu, cinema, jardim sensorial, coleta seletiva, pista de cooper, academia, plataforma de bungee jump, percurso de arborismo e pista de bicicross. Estas foram algumas das ideias que surgiram durante o Workshop do Projeto do Parque do Cerrado, realizado com a participação de mais de 100 pessoas, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia.

Os participantes deram vazão à criatividade e ajudaram a definir, com 100% de consenso, o esboço do maior parque da Capital, objetivo central do evento, que colocou a sociedade como protagonista do projeto, durante os dias 11 e 12 de março.


Participantes do Workshop Parque do Cerrado, no Centro Cultural Oscar Niemeyer
 

Divididos em 10 grupos, os participantes foram estimulados a colocar no papel o parque de seus sonhos, assim como resgatar aquilo que cada um considerava ser seu  patrimônio imaterial, ou seja, hábitos e brincadeiras que fizeram parte do passado e que poderiam ser compartilhados com a nova geração. Esta ferramenta criativa, batizada de Charrette,  vem sendo aplicada comumente nos Estados Unidos e Europa, e chegou a Goiânia para dar forma ao Parque do Cerrado.

Sob coordenação de Guilherme Takeda,  um dos arquitetos que têm usado esta modalidade de criação colaborativa no Brasil, os participantes abusaram das cores em seus desenhos que, depois de prontos, eram fixados nas paredes de vidro. “O resultado foi muito positivo.


À direita, a engenheira ambiental Sarah Carneiro espera que suas propostas sejam atendidas

No segundo dia, as ideias foram apresentadas e o grupo definiu quais seriam os equipamentos prioritários, o que aconteceu com 100% de consenso. "Agora, o próximo passo será reunir a equipe técnica e transferir as propostas para o papel, de forma que possamos filtrar erros e atender o máximo desses sonhos”, afirma Guilherme Takeda.

O próximo encontro com a população está agendado para o dia 8 de abril, também no Centro Cultural Oscar Niemeyer, para apresentação do masterplan do parque, que será definido com base no mosaico obtido no workshop


Arquiteto Guilherme Takeda (de óculos), que conduz o projeto com a participação da população

Cerca de 20 dias antes, a comissão organizadora do evento divulgou a realização do Workshop Parque do Cerrado por meio da internet, imprensa, flyers e outras mídias. Animada com a ideia, a engenheira e perita ambiental Sarah Carneiro atendeu ao chamado, motivada pelo direito de falar e de ser ouvida. Nunca havia tido a oportunidade de participar de uma proposta como essa. “A Charrette é uma abordagem interessante, com a participação da população. Apesar de ter muitas áreas verdes, Goiânia tem diversas carências, mas aqui estou para contribuir para que elas deixem de existir”, afirma.

Para a engenheira, que mora ao lado da área onde o parque será construído, é imprescindível que a administração pública invista em mais iniciativas como essa, para solucionar problemas como a segurança nos parques, por exemplo. “Vim para ser ouvida e esperar que as minhas ideias na área de sustentabilidade sejam utilizadas. Estou esperançosa”, diz Sarah, que sugeriu a criação de um jardim sensorial e a colocação de “inúmeras” lixeiras.

Para outro participante, o empresário e mountain biker Vanderley Alcântara, normalmente, projetos de áreas públicas são impositivos e raramente a população é ouvida. “Estou aqui pela minha vontade de participar, de colocar a mão na massa. Esse deve ser o foco dos projetos, estamos todos transbordando de ideias”, salientou Alcântara.

Ciclista há vários anos, participou com ideias que resolvem as latentes carências de mobilidade da cidade, com ciclovias, trilhas de mountain bike e segurança. “Atualmente, ou a gente anda em grupo, para se proteger, ou andamos em condomínios fechados, como no meu caso. O risco é alto, nosso equipamento é caro e não nos sentimos à vontade nos parques existentes. Mas o Parque do Cerrado pretendo utilizar”, reforça.


A ilustradora Lourdes Pinheiro e o escritor Pedro Ivo: "reforço à cultura"

Apesar de ter participado apenas do segundo dia de evento, a ilustradora Lourdes Pinheiro não perdeu tempo. Casada com o escritor Pedro Ivo, ambos conduzem o projeto Cerrado na Escola, com 14 livros infantis que divulgam animais típicos desse bioma para crianças. Para eles e seu filho Gabriel Peres, 6, o workshop tem tudo a ver com educação. “É uma oportunidade muito interessante para reforçar nossa cultura”, observa Lourdes.


Empresário e mountain biker Vanderley Alcântara: "estamos transbordando ideias"

O Workshop do Parque do Cerrado foi resultado de uma parceria público-privada entre a Prefeitura de Goiânia, através da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), Fórum Goiano de Habitação (integrado pelas instituições do setor imobiliário Ademi, Secovi e Sinduscon), Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e Euroamérica Incorporações.

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