Flocos de paina cobrem o solo na Avenida Circular, criando um cenário de

Flocos de paina cobrem o solo na Avenida Circular, criando um cenário de "neve" tropical | Imagens: Adevania Silveira

Neve tropical

Depois da floração, paineiras pintam de branco o solo da cidade, criando um incrível contraste com os tons marrons da estação seca

Um trecho da Avenida Circular, no Setor Pedro Ludovico, próximo ao Mercado Municipal, está coberto de branco nesse inverno. O cenário lembra o cartão postal de um lugar gélido e atrai olhares de transeuntes, motoristas e moradores do bairro, intrigados com o fenômeno.

O branco, nesse caso, não é causado pela neve,  mas pelas paineiras, ou barrigudas (Chorisia speciosa), que serpenteiam a avenida e que nesse período liberam dos seus frutos verdes flocos de plumas, que lembram o algodão, conhecidos popularmente como paina.

Os frutos parecem com o cacau e crescem depois da florada que ocorre de dezembro até meados de abril. Nos meses seguintes, quando a árvore está totalmente despida da folhagem e os frutos amadurecidos, começa o ciclo da "neve".

Dentro das plumas existem várias pequenas sementes escuras que utilizam o "algodão" para viajar no vento e cair em lugares propícios à germinação, que pode ocorrer a quilômetros de distância da árvore-mãe.

Algumas aves, como periquitos e maritacas, se fartam nessa época perfurando os frutos e consumindo as sementes. Assim, acabam ajudando a acelerar o procedimento natural de abertura dos frutos.

O nome barriguda vem da silhueta avantajada da árvore, que acumula água no tronco, como se fosse uma reserva. Daí a sua resistência à regiões e estações mais secas. Mas a espécie também é conhecida por vários outros nomes como, paineira-rosa, paineira-branca, paina-de-seda, árvore-de-paina, árvore-de-lã, paineira-fêmea e sumaúma.

As paineiras crescem  muito rápido - podem chegar a 30 metros de altura, e a parte mais larga do tronco de 80 a 120cm ­-  e, por isso, são ótimas para plantios mistos em áreas degradadas de preservação permanente. Extremamente ornamentais, à época da florada, pintam a paisagem com suas flores que vão do branco ao róseo.

A paina é utilizada como enchimentos de colchões, travesseiros e cobertores. O fato de sua fibra ser curta e pouco resistente, o que resulta em fios de má qualidade, não é possível utilizá-la para outros fins. The Book pesquisou e descobriu, no entanto, que já existem estudos para torná-la viável como matéria-prima para tecidos de roupa.

Além disso, por ser uma fibra hidrofóbica, sendo importante para o enchimento de produtos como coletes salva-vidas, por exemplo, ela possui um caráter oleofílico, permitindo a absorção de óleos e solventes, sendo, portanto, considerada um material favorável para a correção de águas poluídas. 

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