Cazuza Pro Dia Nascer Feliz, o musical será apresentado em junho, na capital | Imagens: Divulgação
Cazuza Pro Dia Nascer Feliz, o musical será apresentado em junho, na capital | Imagens: Divulgação

Cazuza no palco

Sensação do verão carioca de 2014, o elogiado espetáculo "Cazuza - Pro Dia Nascer Feliz" será apresentado no Teatro Rio Vermelho, nos dias 14 e 15 de junho. Venda de ingressos começou hoje

“Não quero que me imitem. Não quero ninguém atrás de mim. Tenho muito medo de ser porta-voz de qualquer coisa”.  Nesta declaração de 1988, Cazuza já profetizava o inevitável. O talento instintivo e avassalador, o temperamento explosivo, a linguagem única e libertária fizeram dele um ícone sem precedentes na cultura contemporânea produzida no Brasil. Muito mais do que isso: ainda que à revelia, foi, mesmo sem pretender sê-lo, o grande cronista da juventude brasileira dos anos 80. Morto em 1990, aos 32 anos, no auge da carreira, foi alçado a precoce e definitivo mito no imaginário brasileiro. E, pela primeira vez, tem sua breve e trepidante trajetória contada nos palcos, através de Cazuza Pro Dia Nascer Feliz, o Musical (veja na galeria fotos do espetáculo), de Aloísio de Abreu, com direção de João Fonseca. Elogiado, o musical será apresentado em Goiânia, nos dias 14 e 15 de junho, no Teatro Rio Vermelho, informa o release para imprensa.

Morto em 1990, aos 32 anos, no auge da carreira, foi alçado a precoce e definitivo mito no imaginário brasileiro

O espetáculo reúne alguns dos maiores clássicos de Cazuza em carreira solo ou no Barão Vermelho, como Pro Dia Nascer Feliz e Codinome Beija Flor. Canções como Bete Balanço, Ideologia, O Tempo não para, Exagerado, Brasil, Preciso dizer que te amo, Faz parte do meu show, estão presentes no roteiro, que reserva espaço também para composições de Cazuza que ele nunca chegou a gravar, como Malandragem, Poema e Mais Feliz.

O elenco é encabeçado pelo músico e ator Emílio Dantas, de 30 anos, que faz sua segunda incursão em musicais. Osmar Oliveira, Fabiano Medeiros, Brenda Nadler, Thiago Machado, Igor Miranda, Bruno Narchi, Diego Montez , Saulo Segreto, Dezo Mota, Oscar Fabião Cazuza e Sheila Matos completam a escalação, dando vida a nomes como Lucinha e João Araújo , Ney Matogrosso, Bebel Gilberto, Frejat, Caetano Veloso, Dé Palmeira, entre vários outros personagens que gravitaram no universo de Cazuza.

Para a construção do texto, Aloísio de Abreu partiu das conversas com pessoas próximas a Cazuza e fez uma ampla pesquisa para a criação da estrutura dramática do espetáculo. “Apesar de frequentar os mesmos lugares, eu não conhecia o Cazuza. Entretanto, sempre tive uma profunda identificação com a obra dele, que tem um quê de crônica da nossa época, revelando de forma rasgada comportamentos típicos dos jovens que todos éramos nos anos oitenta”, explica Aloísio.

Como a vida do personagem foi curta e, ao mesmo tempo, muito intensa, o autor procurou contar a história de forma ágil, avançando sempre a partir dos momentos de virada na carreira e na vida dele: a descoberta do teatro, o gosto pelo rock, o momento em que resolve cantar, montar uma banda, se profissionalizar, o estouro, as brigas, a mudança no estilo de sua obra, o estrelato solo, a descoberta da doença, a urgência poética no fim das forças. Enfim, momentos que levam a história adiante.“As músicas se inserem quase como parte do texto. Estrutura de musical mesmo. Claro que tem momento show, mas a trajetória do Cazuza é contada através das letras e da poesia dele. Tudo no texto ‘faz parte do show’“, complementa.

Como a vida do personagem foi curta e, ao mesmo tempo, muito intensa, o autor procurou contar a história de forma ágil

A montagem dá continuidade à pesquisa desenvolvida por João Fonseca de uma cena musical brasileira mais despojada e teatral. “Este espetáculo é mais um passo do trabalho que comecei com Gota d’água e que culminou no Tim Maia. É uma nova possibilidade de desenvolver e aperfeiçoar uma linguagem muito autoral de musical iniciada há alguns anos”. O diretor conta que os depoimentos de Lucinha Araújo foram fundamentais na estruturação cênica do espetáculo: “A partir das lembranças dela, vamos conhecendo a vida e a obra desse artista e, tal como sua obra, a peça alterna momentos exagerados e de puro rock'n’roll a mais intimistas e delicados”, finaliza.

A cenografia de Nello Marrese traz elementos fundamentais do universo de Cazuza. “Pensei num cenário poético e limpo. O espaço cênico é formado por seis praticáveis que representam palafitas. O chão, areia. É a representação do Arpoador, um dos lugares preferidos do personagem. O único elemento fixo é uma mesa que se desdobra em diversas representações: bar, o quarto onde ele compunha (sempre usando uma máquina de escrever), hospital, e por aí vai…”. Para o cenógrafo, desta neutralidade cênica partirá o jogo teatral, e completa: “Concebemos três telas onde haverá projeções não realistas que remetem às cenas e canções, brincando com a estética da época. Imaginei um grande clipe, representando de maneira lúdica e simbólica a sucessão de acontecimentos na vida do Cazuza”.

Um amplo trabalho de pesquisa também foi essencial para a concepção musical do espetáculo. Os diretores musicais Daniel Rocha e Carlos Bauzys conceituaram a sonoridade em quatro situações: Barão Vermelho não produzido; a gravação do primeiro disco; e depois do sucesso, já consolidados. A banda solo de Cazuza também foi reproduzida com fidelidade. “Adaptar a obra dele tornando-a cênica e, ao mesmo tempo empolgante e reconhecível ao público, foi nosso maior desafio. Usamos teclados programados com samplers e sintetizadores usados nas gravações do Barão. Dois guitarristas se revezam também entre violão de nylon, de aço e bandolim; além de um contrabaixo elétrico e uma bateria eletrônica programada com os timbres da década de oitenta”, define Daniel.

Quando vi que a Lucinha estava no teste, fiquei desesperado. Não queria fazer feio na frente dela

A escolha de Emílio Dantas para o personagem título foi imediata, segundo João Fonseca. “Trabalhei recentemente com Emílio em outro musical e o considero um talento extraordinário. Desde o começo, achava que ele era o ator ideal para o personagem, o que foi comprovado durante as audições com a aprovação unânime de toda a equipe e da família do Cazuza”.

Emílio, que além de ator também é cantor – foi vocalista da banda Mulher do Padre-foi pego de surpresa com a escolha: “Quando vi que a Lucinha estava no teste, fiquei desesperado. Não queria fazer feio na frente dela. João me mandou quatro cenas, mas só decorei duas. A saída foi incorporar a vibe do Cazuza, já entrei meio como naquela loucura dele no palco, fui sincero e falei que não tinha preparado nada. Busquei captar a essência do artista, sua postura na vida”, relata. O resultado, desde então, foi uma relação de total simbiose entre ator e personagem. “Vi muito vídeo, os bastidores, assisti a várias entrevistas, antes e depois da doença, doidão, sóbrio, prestei atenção na questão das gírias. Fui para São Paulo e voltei de carro ouvindo e cantando Cazuza, captando o jeito dele cantar, o carioquês, a língua presa…”.

O ator precisou emagrecer cinco quilos para o personagem: “Estava predisposto até a perder mais, mas chegamos ao consenso de que não seria necessário, porque há toda a fase dele saudável. Então, para representar a doença, vamos usar uma energia física mais baixa, maquiagem, luz e figurino”, finaliza.

Completando a ficha técnica, Paulo Nenem e Daniela Sanches (iluminação), Carol Lobato (figurinos) e Alex Neoral (coreografia). A banda que se apresenta ao vivo é formada por Marcelo Eduardo Farias e Evelyne Garcia (teclados), Bernardo Ramos e Daniel Rocha (guitarras), Raul D’Oliveira (baixo), Rafael Maia (bateria) e Hebert Souza (programação). Cazuza pro dia nascer feliz, o musical é apresentado pelo Ministério da Cultura, com patrocínio da Sulamérica, Sem Parar e Mills.

E assim, uma das trajetórias mais impressionantes da música brasileira é recriada pela primeira vez nos palcos. Aliás, nada mais oportuno, num momento em que se reascende no país, como poucas vezes se viu, articulações e movimentos em torno da ética, de transparência pública, de honestidade em diversos planos, de dignidade. “Não sei quem foi o ufanista que jogou essa bandeira. É uma pessoa louca, porque o Brasil não está em condições de receber manifestações como essa. Inflação de 900%, um monte de denúncias de irregularidades, fora o assassinato do Chico Mendes. Eu estou é triste! Desiludido!”, disse Cazuza para mãe, após cuspir na bandeira pátria durante um show em 88. Hoje, 15 anos depois, eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades…, Cazuza estaria se perguntando: mas, afinal, cadê o Amarildo? (Fonte: release para imprensa)

FICHA TÉCNICA
Texto de Aloísio de Abreu
Direção Geral: João Fonseca
Produção Geral: Sandro Chaim
Direção Musical: Daniel Rocha
Supervisão Musical: Carlos Bauzys
Preparador Vocal: Felipe Habib
Coreografias: Alex Neoral
Cenário: Nello Marrese
Figurino: Carol Lobato
Visagismo: Juliana Mendes
Design de luz: Daniela Sanches e Paulo Nenem
Design de som: Gabriel D'Angelo
Elenco: Emílio Dantas ou Osmar Silveira (Cazuza)
Atores convidados: Susana Ribeiro (Lucinha Araújo), Marcelo Várzea (João Araújo), André Dias (Ezequiel Neves)
Com: Fabiano Medeiros (Ney Matogrosso), Brenda Nadler(Bebel Gilberto), Thiago Machado (Frejat), Igor Miranda (Maurício Barros), Bruno Narchi (Serginho), Diego Montez (Guto Goffi), Saulo Segreto, (Dé Palmeira), Dezo Mota (Caetano Veloso),Oscar Fabião (Swing masculino) Cazuza e Sheila Matos (sub Lucinha e Swing feminino).

SERVIÇO
Cazuza Pro Dia Nascer Feliz, o Musical
Dia: 14 e 15 de junho de 2014
Vendas a partir do dia 11 de maio
Preços Plateia Inferior R$120,00 – meia entrada; Plateia superior R$ 80,00 – meia entrada; 1º lote até dia 18 de maio
Pontos de venda: Tribo Restaurante; TicMix.com 2x nos cartões Visa/ Master
Informações: (62) 3219-3400

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