A essência sobrevive

A Casa Cor Goiás 2014 abriu as portas com a proposta de retorno às origens, de desfrutar o convívio familiar e de transformar a casa em lugar de renovação das energias e de inspiração para o trabalho

Inaugurada ontem, quarta-feira, 7, no Setor Marista, em Goiânia, a 18ª edição da Casa Cor Goiás pode ser traduzida como um convite ao retorno à simplicidade, aos prazeres da convivência, ao aconchego e à uma vida descomplicada. The Book visitou os 47 ambientes e notou o desejo de valorizar o essencial, descartando o rebuscamento e o excesso. 

O conceito se traduz na abundância de materiais simples e corriqueiros, como a madeira, o ferro, o concreto, a pedra, o metal, a palha e o tecido, que parecem servir de inspiração para um futuro mais eco-friendly e menos massificado, com forte inspiração na essência da matéria-prima. Evidentemente que quase tudo tem como aliada as novidades tecnológicas, sejam em aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos ou na automação dos espaços.

A palheta de cores também remete a volta às origens com os tons terrosos, especialmente o caramelo, passando pela sobriedade do cinza e do preto. As cores quentes entram fazendo o contraponto no mobiliário e nos acessórios. Pinceladas de ouro e prata - fortes presenças na última edição do Salão Internacional do Móvel de Milão - elevam o clima de sofisticação.   

Viver, trabalhar e expor, tudo no mesmo lugar, é uma tendência que já virou realidade nas maiores metrópoles do mundo e começa a fazer parte também das capitais brasileiras, inclusive a nossa. A mostra traz este conceito ao transformar a habitação em um lugar capaz de desconectar o homem da sua realidade exterior, do agito, da agenda lotada e do estresse, oferecendo meios de estímulos aos cinco sentidos, de relaxamento e de descanso, ou então, fazer do ambiente lugar de inspiração para o trabalho. A presença da água em vários espaços, por exemplo, entra como elemento revigorante, além da valorização do contato com a natureza.

Por lá vimos diversas novidades que vocês podem conferir logo adiante, nas imagens de alguns ambientes. Módulos de funções separadas ou unidas em sistemas de ilhas dão maior flexibilidade ao espaço; a integração de ambientes - como a cozinha que perde a sua identidade histórica para ganhar grande importância no projeto; o retorno à função original do quarto- exclusivamente para o descanso; a exposição de estruturas brutas; a valorização do mobiliário brasileiro e a liberdade de decorar com coisas que amamos são alguns pontos que listamos ao percorrer a mostra.

Ao mesmo tempo se vê o apelo ao natural, há a busca pela singularidade - o que The Book adora. Chama a atenção a troca de função de alguns materiais, como a aplicação de placas de feltro na parede ou o uso de revestimento característico de ambientes como cozinha, banheiros e áreas externas em um quarto. Outra novidade que listamos foi o destaque que alguns profissionais deram ao teto, tirando-o do lugar comum e explorando-o com o uso de materiais inusitados, como o cimento queimado ou o chapisco de reboco.

A Casa Cor 2014 também abre espaço para o divertido desafio dos limites estéticos, como o que se vê na Bilheteria. Trazendo como proposta o universo das perspectivas, em um conceito próximo ao do designer Joey Ho para o restaurante The Room, de Hong Kong, a dupla de arquitetos e urbanistas Heitor Arrais e W. Leão Ogawa, explora as possibilidades do encontro entre três retas, eleva o piso ao teto e a parede ao piso, configurando vários planos e pontos de atração para o olhar.  

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