E o mar virou sertão

As comemorações do centenário de nascimento do intérprete máximo do Sertão pernambucano foram encerradas no passado mês de dezembro, no Recife, de forma majestosa.

As comemorações do centenário de nascimento do intérprete máximo do Sertão pernambucano foram encerradas no passado mês de dezembro, no Recife, de forma majestosa. O Governo do Estado inaugurou o Centro Cultural e Museu Cais do Sertão Luiz Gonzaga, um edifício que tem como proposta reconectar o porto com a cidade e ser um marco arquitetônico, atraindo visitantes locais, de todo o País e do exterior.

Construído no local do antigo Armazém 10 do Porto do Recife, a construção retoma a profecia de Antônio Conselheiro: a união do mar e do Sertão nordestino tendo como moldura um dos projetos arquitetônicos mais arrojados atualmente em curso no País. Assinado pela Brasil Arquitetura, escritório fundado em 1979, em São Paulo, e responsável pelo Museu Rodin (BA) e a Praça das Artes (SP), o projeto do Cais do Sertão foi orçado em R$ 97 milhões, recursos do Ministério da Cultura e do Tesouro Estadual.

A obra de Luiz Gonzaga é o fio condutor da história contada pelo Cais do Sertão, que se aprofunda na experiência da vida sertaneja, retratada em espaços que mesclam tradição e tecnologia, e nos quais recursos arquitetônicos se incorporam à narrativa. O centro cultural e museu está dividido em duas edificações – Módulo 1 e Módulo 2. No primeiro será instalado o museu. Este edifício possui uma estrutura diferenciada que é uma grande marquise em concreto protendido, formando um vão livre de aproximadamente 25m, com uma abertura circular na sua parte central para permitir o plantio do Juazeiro.

A árvore, típica da caatinga, foi transplantada para dar as boas-vindas aos visitantes. "A ideia da arquitetura subordinada ao conteúdo começa na sombra dessa árvore. As pessoas entram no museu passando por ela", pontua Marcelo Ferraz. No interior do Módulo 1, dividindo os espaços, um sulco tortuoso no piso, preenchido por seixos e com iluminação especial, representa o Rio São Francisco. Uma estrutura metálica em forma elíptica revestida de chapas de aço, o Útero, chama a atenção pelas suas dimensões.

O Módulo 2 tem uma estrutura ainda mais sofisticada. Um vão livre libera a vista para o oceano nos seus 56 metros de extensão, de viga a viga, e seis metros de pé-direito. Dois outros elementos carimbam a personalidade única da obra: o concreto aparente pigmentado, que faz referência a uma pedra do Sertão do Piauí; e uma máscara de cobogós -inventados no Recife-, com linhas livres que representam ao mesmo tempo a renda, a terra trincada e a visão do sertanejo da galhada na caatinga. Serão usadas 2.200 peças de concreto branco; cada uma com 1,0 x 1,0 m e pesando 220 quilos. Até o desenho final, foram quase dois anos de testes.


Na primeira foto, no alto, a imponente marquise de concreto protendido e o juazeiro das canções de Luiz Gonzaga; na foto acima, a estrutura sofisticada do Módulo 2 com seu vão de 56 metros que libera a vista para o oceano

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