A mulher do cara entrega tudo

A cara metade do videologger Leon Martins revela à The Book como é a vida ao lado do dono de um dos canais de games mais acessados do YouTube

Foi assim que eu fiquei sabendo que meu marido e um amigo tinham sido cercados por duas mil pessoas enquanto visitavam o stand da Sony, na Brasil Games Show, evento especializado em jogos eletrônicos em São Paulo.  Na multidão, crianças acompanhadas pelos pais, adolescentes entusiasmados, gente disposta a demonstrar carinho e se aproximar do "nerd legal" que ganha a vida jogando videogame e postando análises e partidas disputadas no YouTube.

Como foi o encontro?
Bacana. Os bombeiros tiveram que vir resgatar a gente da feira... Saímos escoltados.

No canal Coisa de Nerd no YouTube, Leon tem mais de um milhão de inscritos e ganha cerca de três mil novos assinantes todos os dias. Cada vídeo publicado, na maioria das vezes, alcança mais de 100 mil visualizações. Sim, é gente pra caramba interessada não só em jogar, mas em dedicar tempo assistindo ao Leon jogar. Não vá pensar que me casei com um expert, ou um viciado nos controles. Só fui descobrir o hobby depois de casada. Pra me fisgar, ele lia Nietzsche, dava Tchaikovsky de presente e fazia tipo de menino tímido. Só depois que fui saber dos playstations, psps, nintendos – e do já mencionado efeito que ele causa na meninada. A notícia veio devagarzinho, sussurada ao ouvido, pra não me assustar.

Leon joga desde pequeno. Meu sogro, um engenheiro apaixonado por tecnologia, foi quem o introduziu no ‘vício’. Minha sogra conta que, durante as férias da família, Leon não queria saber da areia, passava o dia inteiro em casa, às voltas com os desafios de Mário World, Megaman e outros clássicos dos games. Apesar dos indicativos de que o hobby poderia virar negócio, eu não poderia suspeitar desse futuro quando começamos a namorar. Conheci o Leon na internet em 2006. Ele deixou um comentário no meu blog e, como não fazia parte do meu já conhecido grupo de leitores –, minha mãe e mais cinco amigos – chamou minha atenção. Não sei de nada mais apaixonante que um leitor atento e, pronto: não relutei a adiciona-lo ao MSN, Orkut, Skype, enfim à vida.

Daí, percebe-se que a internet é pilar do nosso namoro desde o início. Enquanto eu trabalhava em Goiânia, ele terminava uma especialização e um mestrado em filosofia em Belo Horizonte. Em 2007, ele já estava na Alemanha pra um mestrado em Estudos Europeus. O Atlântico não impediu que nos casássemos em 2008, mas ficou entre nós por um longo tempo. Só que mar nenhum separa o que a internet uniu e demos o nosso jeito. A forma que ele encontrou de me mostrar a vida lá e de nos aproximarmos mais foi produzindo vídeos e postando no YouTube. E assim, essa loucura toda começou.

Os vídeos, que no início eram feitos pra família, começaram a fazer um sucesso razoável. A remuneração do ad sense, o programa de parceirias do YouTube, não era grande coisa, mas a produção o ajudava a suportar a distância de casa. Ele ainda não tratava de games, mostrava a Europa, as coisas que vivia por lá, as reflexões que fazia enquanto a dissertação não fluía – só de tema e de orientador ele mudou umas três vezes, que eu me lembre -, efeito de um déficit de atenção tardio, diagnosticado também à época.  A dissertação só engatou quando ele decidiu abordar - adivinhe! - games, claro! Não me pergunte como, mas ele tratou a questão das minorias étnicas usando o jogo Metro 2033. Deu certo.  Foi aprovado como o melhor da turma e voltou pra casa para procurar emprego como professor em alguma universidade.

Enquanto o emprego não saía, ele jogava e postava no YouTube. Com o ritmo de postagens, a audiência também cresceu. Eu que não era disso, sequer imaginava o poder de atração dos jogos. Antes de qualquer universidade abrir seleção na área dele e quando eu já começava a ficar preocupada com o sustento da família, uma empresa americana ofereceu parceria e dinheiro. Logo, vieram convites para cobrir eventos de games nos Estados Unidos, Europa e China. O sucesso nos vídeos se refletiu em outras redes. Leon tem mais de 200 mil seguidores no Twitter e a página no Facebook já foi curtida mais de 150 mil vezes. No ano passado, o perfil dele foi um dos dois brasileiros finalistas no Shorty Awards, prêmio do Twitter promovido pelo jornal The New York Times. Logo depois, ele foi convidado pela Intel para ser um dos quatro participantes de um web reality show de promoção do computador ultrabook. Viajou para a Rússia e Austrália disputando com um americano, um indonésio e uma indiana – perdeu a competição, mas quem se importa? Não eu, que sou puro orgulho dele.

Leon também me encorajou a abrir meu próprio canal. Aplico minha experiência de dez anos como repórter de TV em Goiânia em comentar o mundo para um público jovem, o público dele. Não queremos depender do YouTube e estamos diversificando o negócio. Ele acaba de abrir uma empresa em Curitiba e se instalou por lá, o que significa que nos preparamos para enfrentar mais uma temporada de distância. Se é fácil? Claro que não, mas se uma coisa eu aprendi como mulher de gamer é que, pra cada fase do jogo, surgem sempre as armas necessárias. E valham-me Whatsapp, Skype e Facetime!


Na foto do alto, a jornalista Nilce Moretto e o marido, o vlogger Leon Martins, numa das viagens que fez a Alemanha para visitá-lo, em 2008. Acima, Leon em ação

SAIBA MAIS
Formado em Relações Internacionais pela PUC-MG, especialista em Filosofia pela UFMG e mestre em Estudos Europeus pela Universidade Flensburg, na Alemanha, o vlogger foi um dos primeiros brasileiros a explorar a área de canais de videogames dentro do YouTube. Segundo o site de tecnologia youPIX, essa categoria é uma das mais populares na rede social em todo o País, com mais de 1,2 milhão de visualizações por dia. Leon é carioca, se mudou para Goiânia em 2010 e, recentemente, se transferiu para Curitiba (PR) em razão da grande presença de profissionais capacitados nas áreas de produção de vídeo e de tecnologia, e da proximidade com o eixo Rio-SãoPaulo. Além de comentar os jogos, Leon grava as viagens que faz para cobrir eventos de games pelo mundo.


5 comentários

Romulo Murdock

Parabens pelo artigo. Os videos do Leon sao realmente viciantes. A naturalidade com que ele os faz e ao mesmo tempo o profissionalismo na edicao com certeza sao o chave do seu sucesso. E olha que tenho 37 anos, heim? Nao sou taaao jovem assim. rssss So para constar estatisticamente: conheci o canal do Leon quando pesquisava como reabastecer um carro nos EUA. Ai caiu no vlog de viagens deles e eu simplismente nao consegui mais parar de assistir. Muito bons. Casal lindo, super sintonizado, amor verdadeiro. Parabens! R.M. In God we trust!

Sara

Nilce, eu sempre tive uma dúvida...quanto tempo Leon ficou longe de você na Alemanha? E quantas vezes você foi visitá-lo?

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é eles sempre contavam uma historia diferente toda vez q perguntávamos sobre como eles se conheceram, mas muito legal a reportagem

kauan

oi parabens leon oliveira martins por toda asua luta para chegar até ai

Elton Lima

Conheci vocês este ano pelos vídeos que meu filho assistia do Coisa de Nerd e achei bem legal pois sou da geração vídeo game (supernintendo). Deve ser um bom trabalho e divertido, também,não é? Já sou mais um inscrito dos canais de vocês. Valeu!
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