Claydson Francisco, do GOFW, recepciona o estilista Alexandre Herchcovitch.
Claydson Francisco, do GOFW, recepciona o estilista Alexandre Herchcovitch.

Alexandre Herchcovitch:

O estilista diz que sofre pouca interferência do departamento comercial e que não vê dificuldade entre criar e vender

A palestra que abriu ontem, quarta-feira, 7, o GOFASHION, girou em torno de perguntas do público que lotou o auditório do Centro Cultural Oscar Niemeyer ao stilista Alexandre Herchcovitch. Durante cerca de uma hora o estilista falou sobre todos os assuntos relacionados à sua marca, uma das mais conceituadas do mercado de moda brasileiro, bem como a projeção da mesma no exterior. Confira os melhores momentos deste encontro:

[1] O estilista diz que sofre pouca interferência do departamento comercial e que não vê dificuldade entre criar e vender. É possível ser criativo e ao mesmo tempo comercial.

[2] Alexandre disse que nunca projetou ou planejou a sua marca que foi se consolidando gradativamente, à medida que as coisas aconteciam e as oportunidades surgiam.

[3] Revelou que a coleção que vai para a passarela e a que irá para as lojas são desenvolvidas simultaneamente por uma equipe de seis pessoas, além do estilista. São criados 150 itens, entre feminino e masculino. Sendo que de 40 a 50 são que serão mostradas nas passarelas. Destas, 10 itens em média são produzidos em série, para atender clientes interessados nas peças desfiladas.

[4] Hoje a marca AH está olhando muito para a própria história na hora de criar.

[5] Aos estilistas que estão começando disse que quem tem só técnica e não tem idéia ou quem tem somente idéia e não tem técnica, terá de depender de terceiros e isso não é bom. Que devem se especializar naquilo que fazem. E arrematou dizendo para terem calma, pois teriam uma vida toda para crescerem como estilista.

[6] Disse que não é somente o setor de modelagem que sofre a falta de profissionais. Alexandre contou que as marcas estão carentes também de costureiras, alfaiates, porque os jovens “preferem trabalhar como atendente de telemarketing” a invés dessas profissões. Afirmou ainda que, atualmente, as marcas estão pagando bem à classe modelista e que no Senac SP, onde trabalha, os alunos que cursam modelagem são absorvidos pelo mercado.

[7] AH revelou que cada vez mais se interessa pela “construção” da roupa.

[8]Alexandre revelou que quase nunca vai ao setor de modelagem da sua marca, embora confira todas as peças que estão sendo executadas. Que não modela há muito tempo, mas que costura.

[9] Há 20 anos, quando começou a usar o símbolo da caveira em suas coleções, muitas pessoas não compravam por causa disso.

[10] Sobre a projeção da moda brasileira no exterior, Alexandre afirmou que hoje tem uma participação muito pequena, diferentemente de há 10 anos. Falou sobre os mercados para os quais vende e que, o fato das temporadas não coincidirem, colabora para a produção das peças: nunca criou uma coleção diferente para os mercados externos porque vende antecipadamente as coleções.

[11] Alexandre disse que nunca quis ser polêmico, que apenas falava de temas de que gostava e que, hoje, sua criação está mais sofisticada. Que as suas transgressões agora são bem mais sutis, como criar um vestido de festa com tecido barato.

[12] O estilista afirmou que procura uma maneira de diferente de trabalhar, que a pressão é grande para não cair, para sempre fazer o melhor, que todo mundo erra e que nem sempre cria uma coleção de que gosta.

[13] Alexandre pediu desculpas ao público por não conhecer nada da moda produzida em Goiás e que nem a pesquisou antes de vir para Goiânia.

[14] Por fim disse que o momento da moda brasileira é bastante delicado, não de medo, mas de pessimismo. Afirma que as marcas internacionais estão aportando no Brasil, que os grandes shoppings estão dando preferência a elas em detrimento das nacionais. Além disso, a moda concorre ainda com o celular, o carro, as viagens. “Eu mesmo quero comprar coisas que são lançadas como um celular”, finalizou Alexandre.

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